Intercâmbio para receitar alegria

publicado em 22/03/2009

Palhaços franceses trocam experiências com grupo pernambucano sobre o trabalho que realizam em hospitais e ambulatórios infantis
Vinícius Araújo // Diario
viniciusaraujo.pe@diariosassociados.com.br


Trazer alegria e descontração para uma criança. Fazer que ela esqueça, nem que seja por apenas alguns instantes, que está no hospital. Animar pais e profissionais da saúde na labuta diária.

No Imip, o grupo alegrou os pequenos internos com música e brincadeiras na linguagem universal do palhaço. Foto: Vinicius Araujo/DP/D.A Press
Não é preciso mágica nem especialistas no assunto para realizar tais atividades: basta que haja palhaços. Isso mesmo: palhaços!

Este mês, o trabalho, que já é feito de forma sistemática no Recife pelos Doutores da Alegria, ganhou o reforço do grupo francês Le Rire Medécin. E embora o trabalho dos clowns, como são chamados os palhaços profissionais franceses, seja dos mais sérios, a festa não para.

Semana passada, o grupo de nove palhaços brasileiros e dez franceses participou de um maracatu, na Rua da Aurora, no Recife. E de segunda a quarta-feira desta semana, a trupe faz suas estripulias nos ambulatórios infantis dos hospitais da Restauração, Oswaldo Cruz, Barão de Lucena e Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip). As visitam se encerram no dia 26 com um carnaval fora de época com a saída especial do Bloco do Miolinho Mole - o bloco mais bobinho do mundo, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc).

A intenção do trabalho dos artistas é, também, trocar experiências entre os brasileiros e franceses. Aprender e ensinar. O intercâmbio termina com a apresentação de um cabaré com esquetes dos dois grupos, no Teatro Apolo, no próximo dia 3 de abril. O espetáculo será aberto ao público e é uma seleção de cenas criadas a partir da ação nos hospitais atendidos. Os franceses do Le Rire Médecin ficam no Recife até o próximo dia 6 de abril.

Animação - Na última quinta-feira, os dois grupos estiveram no Imip para alegrar a meninada. Com flauta na mão e uma fantasia colorida, a clown francesa Caroline Simouds tocou um música para a pequena Luiza Valéria, de 2 anos, que está internada no setor de oncologia do Instituto Materno Infantil. A mãe da garota, a agricultora Damiana Maria, 26, adorou a iniciativa. "Fico feliz com essa ação. A animação éboa para minha filha e para mim também. Isso nos fortalece para encarar o outro dia aqui no hospital", afirmou a agricultora.

Além das crianças, os palhaços fazem os funcionários da unidade de saúde entrar no clima de brincadeira. Alguns chegam a dançar e cantar junto com os artistas Mas sempre há um pequenino por perto. Sorrindo e demonstrando alegria com a situação. "Para a criança, é uma dupla experiência. A primeira é o fato de chegar um palhaço no hospital, que é algo incomum, e depois porque estamos fazendo intercâmbio com o grupo francês Lê Rire Médecin, e eles veem um francês e um brasileiro na brincadeira com eles", explicou a clown e coordenadora do Doutores da Alegria do Recife, Emme Marx.

Ser clown não é tarefa fácil. Exige-se competência das pessoas que estão por trás das fantasias. Para fazer parte dos Doutores da Alegria, por exemplo, a pessoa precisa ser ator profissional e ter curso de palhaço. Já no grupo francês, os artistas participam de uma seleção. Os que demonstrarem mais improvisaçãose classificam. E também devem ter experiência na área, embora não haja necessidade de ser graduado.

Segundo a clown e fundadora do grupo francês Le Rire Médecin, Caroline Simounds, os artistas passam por cursos de psicologia infantil e, um dia antes de atuar em um hospital, a equipe acompanha o trabalho desenvolvido na unidade de saúde. "É preciso saber que a linguagem do palhaço é universal. E talento, curiosidade, criatividade, empatia, capacidade de líder com pessoas de idades diferentes e ter alegria de viver são atributos do artista", afirma Simounds.

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